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Dromedário Carmelinho
Aristides Theodro Dromedário Carmelinho, Homem Muito Temido E Respeitado Em Todo O Sertão De Ouricuri Do Norte, Devido Às Arruaças , Sempre Dizia,Por Cima De Seu 1.90m E Por Trás Da Vastidão De Seu Bigode, Que Filho Do Velho Carmelinho Do Ouricuri Do Norte Morria Sem Gemer Na Ponta Da Faca Cega, Se Preciso Fosse, Mas Não Levaria Desaforo Para Casa. Num Sábado, Na Feira De Curiapeba, Por Questão De Udn E Pesd, De Desentendeu Com Um Certo Fifó Rego, Sujeitinho De Maus Bofes, Que No Calor Do Bate-Boca, Lhe Espalmou Os Nós Dos Cinco Dedos No Pé Do Ouvido. Dromedário, Que Não Era Visto Com Bons Olhos Pelos Capiaus, Devido À Sua Pretensa Valentia, Levantou Do Primeiro Tombo E, Ao Se Aprumar E Fazer Mensão De Puxar O Punhal Que Trazia Por Debaixo Da Camisa, Levou Um Cangapé Nos Quibas E Um Enorme Trompaço Na Boca,Que Fez Dois Dentes Voarem A Respeitável Distância. Fifó Rego, Debaixo Do Peso Dos Aplausos Dos Presentes, Cresceu Talqualmente A Serra Do Itiúba,Tomou O Punhal De Dromedário, Arrebentou-O Ao Meio, Jogou Os Pedaços Aos Pés Do Dono E Aplicou-Lhe Mais Alguns Pescoções Corretivos, Quando Foi Aparteado Pela Cabroeira Do Deixa-Disso,Que Conduziu Dromedário Todo Esbandalhado Em Direção À Sua Montaria,De Onde Desapareceu Inesperadamente. Uns Dizem Que Ele Foi Pra São Paulo E Outros Afirmam Que Dromedário Carmelinho Foi Pro Amazonas, Brigar Com Matas E Sucuris.
O HOMEM QUE LIQUIDOU UM TROVÃO A TIRO DE CLAVINOTE
Delorido da Silva, uma espécie de capataz da fazenda Ouricuri do Norte, num Sábado,após a feira em Curiapeba, montou sua burra cardã e seguiu viagem rumo à fazenda. Após alguns goles de catilóia deixou a cidade já ao anoitecer ,com o brilho estranho, fantasmagórico,de uma meia-lua mofina,que anunciava chuva dentro de alguns instantes. O tabaréu vestiu a capa boiadeira, que trazia na garupa da sela,a fim de proteger da chuva o clavinote,que carregava para o caso de uma emeergência. Já havia cortado muito sertão, quando,uma chuva torrencial com muitos ventos, raios,relâmpagos e trovões,desabou sobre a terra,deixando o viajante apreensivo.A certo ponto da estrada, após um relâmpago incendiário ter cortado o céu de norte a sul,avistou à sua frente duas montanhas em forma de bola de neve,uma monumental,grandalhona,estúpida e outra menorzinha, que tomava quase toda a totalidade da estrada.O homem ao se aproximar das inusitadas bolas teve a impressão de não haver condição de passagem,pois a bola grande tomava mais da metade do caminho e a menorzinha,por sua vez, não lhe permitia esgueirar-se pelo lado direito do terreno,que era esconso,despenhoso.Delorido da Silva muito assustado,indagou como se interrogasse uma pessoa: -Quem vem lá? É de paz?… Nenhuma resposta.Mas a seu vê,as bolas passaram a se mover em sua direção.Teve mesmo a sensação de ter ouvido estas palavras vindas de uma delas: -Pega ele,pega ele!… Delorido da Silva,que há muito já estava de cabelos arrepiados,não vacilou um só minuto,puxou o clavinote de debaixo da capa e atirou na bola menor,que produziu um forte estrondo,acompanhado de uma luz azulada, que jogou o homem juntamente com a alimária, a alguns metros de distância,em cima de uns pés de unha-de-gato.Em seguida,após levantar-se todo enlameado por um barro vermelho,pegajento,apanhou a espingarda e cautelosamente aproximou-se da Segunda bola,onde constatou,segundo suas conjecturas de matuto,tratar-se de um trovão caído e não explodido,que ao ser ferido pelas balas do clavinote,sofreu a desintegração,deixando o homem horrorizado e ao mesmo tempo agradecido a São Roque e Senhora Sant’Ana,padroeira do lugar,por não ter ele atirado logo de cara no trovão maior, de explosão fulminante,que por cert lhe acabaria de uma vez por todas.
Escrito por ciberliteratura às 12h32
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