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Deu no New York Times...


26/11/2005
Poeta Derek Walcott converte versos em imagens
Vencedor do Nobel de literatura expõe suas pinturas em Nova York

Ken Johnson
Crítico de arte

Se houvesse um Prêmio Nobel para artistas visuais, seria seguro apostar que Derek Walcott não receberia um --não apenas porque ele já recebeu um Nobel, o de literatura, em 1992. Walcott, que divide seu tempo entre Santa Lúcia, Nova York e Boston, onde ensina na Universidade de Boston, pinta.





Becket Logan/The New York Times
"Seascape With Figures" integra a exposição de obras do poeta, autor de "Omeros"

Mas a julgar por "Another Life" (Outra Vida), uma exposição de suas obras da última década na June Kelly Gallery, no Soho, ele é mais um hobbista dedicado do que um profissional consumado.

Isto não quer dizer que suas pinturas careçam de talento ou charme. Em seu melhor, Walcott, um poeta que nasceu em Castries, em Santa Lúcia, em 1930, tem a coordenação mão-olhar para criar vistas encantadoras, ao estilo impressionista, de cidades e praias caribenhas que cintilam com luz e cor. E algumas delas contêm uma certa ressonância emocional provocada por figuras isoladas em cenas geralmente despovoadas --almas que vagam expostas aos caprichos freqüentemente violentos da história e clima tropicais

Sugestões de tragédia mítica estão presentes no quadro de um pequeno grupo familiar à beira do mar, em um dia ensolarado, tempestuoso, em "Panorama Marinho com Figuras" (2002). (Os retratos de Walcott são menos persuasivos; um retratando o poeta Seamus Heaney mal seria aprovado em um curso de pintura.)

Para saber o que está faltando nas pinturas de Walcott, você precisaria apenas ler algumas poucas páginas de sua obra principal, "Omeros", de 1990. Escrita em estrofes de três linhas rimadas irregularmente e se estendendo por 304 páginas, ela é uma tapeçaria narrativa homérica que se estende por séculos, no qual os temas de amor, ciúme, guerra, colonialismo e escravidão estão tecidos intricadamente. (Ele também tentou sua mão na Broadway, colaborando com Paul Simon em "The Capeman", o musical de 1997.)

O fato de Walcott fazer pinturas que são comparativamente modestas em suas aspirações não é um déficit: modéstia, afinal, pode ser um excelente antídoto para a grandiosidade. A questão sobre elas, em vez disso, tem a ver com a natureza da imaginação de Walcott, que em sua poesia é tão abrangente que beira o surrealismo.

Sua mente pode ter dificuldade para acompanhar tantos personagens diferentes que emergem de cenários geográficos e históricos tão diversos em "Omeros". Mas você é regularmente surpreendido em alerta estético pleno por linhas como aquelas em que descreve o anseio de um homem pela bela Helena, como "sentindo como um cachorro que é deixado para farejar os resíduos de suas pegadas" ou versos de longa e tumultuosa descrição de um furacão, nos quais "lírios enlouquecidos pela chuva escolhem morrer pela água, como virgens grávidas em romances vitorianos".

Os ousados saltos de linguagem e metáforas refletem ondas de imaginação que impelem o poema à frente como um navio de sonhos que desliza pelo oceano.

Na arte moderna, o cubismo e o surrealismo facilitaram tais saltos imaginativos. Então é interessante se perguntar o que Walcott teria feito como artista visual se não tivesse encontrado na poesia um veículo espaçoso o bastante para todos seus pensamentos, sentimentos e fantasias. Como pintor, ele permaneceu contente com as limitações da pintura ao estilo do século 19, de forma que ela parece menos uma extensão de sua poesia árdua e mais uma fuga de suas exigências.

Suas melhores paisagens são em verso, como esta, também de "Omeros": "Eu amo a teca jovem com corpos limpos como bétulas/à luz que pintalgou o tom de leopardo do caminho/quando andorinhões ao anoitecer costuram com seus pontos cruzados o céu sedoso ou se lavam no pequeno chafariz".


Escrito por ciberliteratura às 18h00
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